‘Ói, ói o trem…’

Acrílica sobre tela – 20x30cm

A ideia de pintar esse quadro veio de minhas lembranças desse meio de transporte tão popular e que praticamente desapareceu no Brasil. Veio da lembrança da música de Raul Seixas, da qual emprestei uma frase para o título, que evoca bem o contexto das viagens de trem pelo interior, as estações, o fiscal de bilhete, o destino de pessoas, por aí afora.

Ser ou não ser naïf, eis a questão

A ideia de pintar essa tela nasceu da observação das conversas de artistas naifs em grupos de whatsapp e outras redes. Observei que havia discussões sobre o “ser naïf”, muitas vezes com uma certa mágoa por não ter o reconhecimento que merece, o que é verdadeiro. Então, para continuar com a questão na roda, me ocorreu pintar uma cena parodiando “Hamlet”, a famosa peça trágica de William Shakespeare, através da icônica imagem em que o príncipe da Dinamarca divaga sobre a morte, tendo em mãos uma caveira humana. Então pensei nos nossos sábios príncipes caipiras anônimos dialogando com a caveira de um bovino, peça post mortem muito comum na zona rural brasileira. É isso.

Molequice

O título desta obra diz tudo. Molequice é não ter responsabilidade, é desobedecer a mãe, é matar aula, é ter o mundo a seus pés. Quando menino em Embu das Artes fiz toda molequice a que tinha direito. Era uma delícia andar pela mata da Fonte dos Jesuítas, andar sobre os dutos de água, nadar nos riachos, comer frutas silvestres, enfim, viver. Agradeço a Deus por ter tido uma infância assim. Esta tela é uma homenagem a todos os moleques de minha infância.

Coliseu como nunca se viu

Acrílica sobre tela 0- 30x40cm

Esse quadro nasceu de uma simples observação do Coliseu de Roma. Ao ver novamente a imagem, dias desses, durante a pandemia do coronavírus, fiquei imaginando o quanto vazio ele está – agora dentro e fora. Então pensei: que tal se o Coliseu virasse um vaso imaginário de flores, com gente imaginária ocupando o espaço? Deu nisso, espero que gostem.

Cospe aqui quem for homem

Acrílica sobre tela – 24x30cm

Mais uma da série da infância. Quem não passou ou não presenciou as brigas do lado de fora da escola, mas que quase sempre começavam dentro, com o mote: “Vou te pegar lá fora!”. E não dava outra, nem que o desafiante fosse se arrependendo, havia a imensa torcida, ávida de sangue, que não o deixava esquecer, sob o pretexto de que se tornaria um covarde. Na rua, antes da tetra, havia sempre aquele líder que ajudava a esquentar ainda mais a rusga. Era sempre ele quem colocava a mão no meio, entre os rostos dos contendores, e dizia a frase: “Cospe aqui quem for homem”. Algumas vezes, um ou outro caia na pegadinha e, ao cuspir, acertava a cara o adversário. Aí, já sabe, né, o pau comia feio, enquanto a turba aplaudia.

Reforço na guerra contra o temível coronavírus

Acrílica sobre tela – 30x40cm (Vendido)

Quem nunca brincou de guerra de mamonas? E u brinquei muito. Um bando de moleques, às vezes meninas também, se municiavam de cachos de mamonas e realizavam uma verdadeira guerra entre si. Normalmente nos dividíamos em turmas como se fossem exércitos. Normalmente também ocorria de a gente brigar. Muitas vezes a gente também se machucava quando as “balas” atingiam, em especial, os olhos. Todos sabem que a mamona, cheia de pontas, se assemelha aos desenhos que representam os vírus. Foi pensando nisso que criei essa pintura sobre meninos em guerra com o temível coronavírus. Pra relaxar um pouco nesta situação de isolamento.

Blefe

Acrílica sobre tela 30x40cm (Indisponível)

Sobre esta tela, relacionada ao COVID-19, vou deixar que o crítico de arte Oscar D’Ambrosio a explique:

Arte em tempo de Coronavírus (104)

Mineiro, radicado em Mirassol, SP, Jair Lemos, ao realizar um trabalho sobre o novo conoanvírus e a COVID-19, reúne uma série de elementos visuais simbólicos que nos fazem pensar sobre o microrganismo e a doença sob novas perspectivas, ressaltando a gravidade da situação, mas com um toque de leveza e humor.

A imagem nos encanta inicialmente por haver a estilização de uma carta de baralho, especificamente a do Rei. Junto ao K (King) característico, temos pontos de interrogação (?) e de exclamação (!) na extremidade superior esquerda na e inferior direita, respectivamente. O personagem central, para complementar, está caracterizado como pintor.

Entre dúvidas e afirmações, de pincel na mão e junto a um cavalete, o artista tem os bigodes característicos do mestre espanhol Salvador Dalí, um dos mestres do surrealismo e célebre pelo quadro “Persistência da Memória”, em que um relógio está se desfazendo. Na tela que realiza, é o próprio coronavírus estilizado que se desmantela no interior e para fora do quadro.

O fundo, no amarelo próprio da realeza, apresenta imagens do coronavírus. O trabalho como um todo, de ampla riqueza de interpretações, relaciona poder, arte e saúde de maneira lúdica e sem perder de vista a mensagem da importância de se cuidar e de cuidar dos outros. Afinal, o rei está, como todos nós, usando máscara.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br.

No tempo das jardineiras

Acrílica sobre tela – 30x40cm

Quem nunca ouviu falar das antigas jardineiras — meio de transporte muito comum nas décadas de 1930 a 1960? Muita gente hoje com 60 ou mais de idade teve o gostinho de andar numa dessas. Eram carrocerias rústicas, feitas de madeira e encaixadas sobre chassis de caminhão para o transporte de passageiros. A velha bugiganga saía sacolejando pelas estradas de terra por afora, cheias de gente, malas, utensílios, alimentos e (pasmem!) até animais, como galinhas e porcos. Foi para reacender as memórias que pintei esta tela.