Cospe aqui quem for homem

Acrílica sobre tela – 24x30cm

Mais uma da série da infância. Quem não passou ou não presenciou as brigas do lado de fora da escola, mas que quase sempre começavam dentro, com o mote: “Vou te pegar lá fora!”. E não dava outra, nem que o desafiante fosse se arrependendo, havia a imensa torcida, ávida de sangue, que não o deixava esquecer, sob o pretexto de que se tornaria um covarde. Na rua, antes da tetra, havia sempre aquele líder que ajudava a esquentar ainda mais a rusga. Era sempre ele quem colocava a mão no meio, entre os rostos dos contendores, e dizia a frase: “Cospe aqui quem for homem”. Algumas vezes, um ou outro caia na pegadinha e, ao cuspir, acertava a cara o adversário. Aí, já sabe, né, o pau comia feio, enquanto a turba aplaudia.

Anônimos

Acrílica sobre tela – 30x50cm

Com essa tela, acho eu saí um pouco do naif. Mas isto, pra mim, não muda a simpatia e o respeito que tenho pelos milhares de trabalhadores anônimos da saúde durante a pandemia do coronavírus. Por trás das máscaras existem pessoas de todas as classes sociais colocando suas vidas em risco para salvar pessoas que sequer conhecem. A minha admiração!

Reforço na guerra contra o temível coronavírus

Acrílica sobre tela – 30x40cm

Quem nunca brincou de guerra de mamonas? E u brinquei muito. Um bando de moleques, às vezes meninas também, se municiavam de cachos de mamonas e realizavam uma verdadeira guerra entre si. Normalmente nos dividíamos em turmas como se fossem exércitos. Normalmente também ocorria de a gente brigar. Muitas vezes a gente também se machucava quando as “balas” atingiam, em especial, os olhos. Todos sabem que a mamona, cheia de pontas, se assemelha aos desenhos que representam os vírus. Foi pensando nisso que criei essa pintura sobre meninos em guerra com o temível coronavírus. Pra relaxar um pouco nesta situação de isolamento.

Blefe

Acrílica sobre tela 30x40cm (Indisponível)

Sobre esta tela, relacionada ao COVID-19, vou deixar que o crítico de arte Oscar D’Ambrosio a explique:

Arte em tempo de Coronavírus (104)

Mineiro, radicado em Mirassol, SP, Jair Lemos, ao realizar um trabalho sobre o novo conoanvírus e a COVID-19, reúne uma série de elementos visuais simbólicos que nos fazem pensar sobre o microrganismo e a doença sob novas perspectivas, ressaltando a gravidade da situação, mas com um toque de leveza e humor.

A imagem nos encanta inicialmente por haver a estilização de uma carta de baralho, especificamente a do Rei. Junto ao K (King) característico, temos pontos de interrogação (?) e de exclamação (!) na extremidade superior esquerda na e inferior direita, respectivamente. O personagem central, para complementar, está caracterizado como pintor.

Entre dúvidas e afirmações, de pincel na mão e junto a um cavalete, o artista tem os bigodes característicos do mestre espanhol Salvador Dalí, um dos mestres do surrealismo e célebre pelo quadro “Persistência da Memória”, em que um relógio está se desfazendo. Na tela que realiza, é o próprio coronavírus estilizado que se desmantela no interior e para fora do quadro.

O fundo, no amarelo próprio da realeza, apresenta imagens do coronavírus. O trabalho como um todo, de ampla riqueza de interpretações, relaciona poder, arte e saúde de maneira lúdica e sem perder de vista a mensagem da importância de se cuidar e de cuidar dos outros. Afinal, o rei está, como todos nós, usando máscara.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br.

No tempo das jardineiras

Acrílica sobre tela – 30x40cm

Quem nunca ouviu falar das antigas jardineiras — meio de transporte muito comum nas décadas de 1930 a 1960? Muita gente hoje com 60 ou mais de idade teve o gostinho de andar numa dessas. Eram carrocerias rústicas, feitas de madeira e encaixadas sobre chassis de caminhão para o transporte de passageiros. A velha bugiganga saía sacolejando pelas estradas de terra por afora, cheias de gente, malas, utensílios, alimentos e (pasmem!) até animais, como galinhas e porcos. Foi para reacender as memórias que pintei esta tela.

Dona Zefa Benzedeira

Acrílica sobre tela – 30x40cm

Esse quadro é mais uma de minhas reminiscências de infância em Embu das Artes. Era lá, na Rua da Capelinha, onde eu vivia com minha família, que também morava uma senhora benzedeira chamada Dona Zefa. Na verdade, corriam boatos maldosos de que ela era uma espécie de bruxa, ou algo assim, devido à idade, aos cabelos desgrenhados e grisalhos. Era na casa dela — cheia de ervas, mato e quinquilharias — que minha mãe nos levava para curar algum tipo de doença da época, além de mau-olhado, quebranto e outras males da alma. Tínhamos medo dela, mas fazer o que! Portanto, vai aí minha singela homenagem a esta mulher que, na verdade, era um anjo incompreendido na terra.

Tributo a Carolina de Jesus

Acrílico sobre tela+ pátina cera – 40x50cm

Carolina de Jesus nasceu em Sacramento, no dia 14 de março de 1914, e morreu em São Paulo, em 13 de fevereiro de 1977. Ficou conhecida por seu livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada“, publicado em 1960.

Carolina de Jesus foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil e é considerada uma das mais importantes escritoras do país. A autora viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, sustentando a si mesma e seus três filhos como catadora de papéis.

Em 1958, tem seu diário publicado sob o nome Quarto de Despejo, com auxílio do jornalista Audálio Dantas. O livro fez um enorme sucesso e chegou a ser traduzido para catorze línguas.

Carolina de Jesus era também compositora e poetisa e sua obra permanece objeto de diversos estudos, tanto no Brasil quanto no exterior.

Tenho extrema admiração por esta mulher lutadora, tanto que antes dessa tela escrevi uma letra que foi musicada por meu filho Tainá Maia.